Frotas de Combate: o Futuro da Marinha Portuguesa

A Marinha portuguesa praticamente não se envolveu em batalhas navais clássicas ao longo do século XX, numa época em que a natureza do combate naval e as funções de uma marinha de guerra se alteraram profundamente. É de esperar que, ao longo do século XXI, a Marinha continue a desenvolver papéis semelhantes aos que iniciou no século anterior.

Portugal não é uma potência militar de primeiro plano, pelo que a Armada portuguesa dispensa navios de combate em grandes escala, como porta-aviões. Os principais objetivos de Portugal estão ligados ao patrulhamento da sua costa e do seu espaço marítimo, à necessidade de resgate rápido de cidadãos nacionais em cenários de crise, à investigação científica e aos compromissos internacionais assumidos pelo Estado português.52B_21307A

Interesses diretos de Portugal e compromissos internacionais

O interesse nacional do Estado Português prende-se com a sua Zona Económica Exclusiva (ZEE), a 3.ª maior da União Europeia e a 11.ª do mundo. Além do patrulhamento e da vigilância de atividades ilícitas (como a pesca não-autorizada por navios de outros países ou a passagem de tráfico de droga), a Marinha deverá ser capaz de colaborar com a investigação científica que permitirá a Portugal conservar e tirar partido da sua ZEE.

Dentro das suas possibilidades, Portugal deverá continuar a colaborar nas missões ao serviço da NATO e das Nações Unidas, tal como tem feito em diversas ocasiões, em especial após o 25 de Abril.

Perspetivas de evolução futura

Os submarinos Tridente e Arpão têm um tempo de vida útil de 30 anos, pelo que se prevê que sejam retirados do serviço em 2040 ou alguns anos mais tarde, se suceder como aos seus antecessores. Dadas as dificuldades em termos de finanças públicas que o país atravessa, a sua posição geopolítica e as crescentes reticências da opinião pública relativamente à utilidade de grandes navios, é de esperar que Portugal, no médio-longo prazo, venha a apostar mais em navios pequenos e de reação rápida. Por seu lado, a Marinha deverá fazer o máximo em termos de divulgação pública das suas atividades, principalmente dos submarinos, para persuadir a opinião pública da sua importância estratégica.