Marinha Portuguesa: As guerras na Ásia e em África

A Marinha portuguesa, ou mais propriamente a Armada portuguesa (como é vulgarmente conhecida), foi o braço militar essencial no desenvolvimento e manutenção das relações económicas e políticas de Portugal com todas as suas possessões pelo mundo fora, entre 1415 e 1975. A Armada esteve desde cedo envolvida nos conflitos militares em que Portugal entrou na Europa, quer contra outras potências europeias quer contra potências islâmicas, no Mar Mediterrâneo. Mas sem dúvida que a capacidade de Portugal intervir política e militarmente num cenário geográfico a milhares de quilómetros (e meses de viagem, no século XVI) de Lisboa foi um dos feitos revolucionários que deu início à globalização, no qual a Armada teve um papel crucial. A história das guerras marítimas na Ásia e em África faz-se em dois grandes momentos: os séculos XVI e XIX.

Ásia, século XVIPortuguese_Carracks_off_a_Rocky_Coast

Portugal foi pioneiro na tentativa, bem sucedida, de criar um império transoceânico com base em pontos de apoio à navegação com valor estratégico. Depois de se instalar na Índia, Afonso de Albuquerque criou um império que compreendia praças fortes junto a estreitos, de forma a controlar a navegação: Ormuz, Socotorá e Malaca foram os mais notórios. Os navios portugueses dispunham de uma superioridade em termos de capacidade de navegação e de fogo (artilharia) que os estados islâmicos e indianos não conseguiam igualar.

África, século XIX

Durante a “Partilha de África”, a Armada era o elo de ligação essencial entre Portugal e as suas colónias em crescimento. Apesar de as campanhas militares decorrerem em terra e (ao contrário do que acontecera na Ásia) Portugal não se ver envolvido em batalhas navais, é de sublinhar a campanha do Barué, em Moçambique (1902), que foi executada essencialmente com meios da Marinha.

A última batalha naval: Índia, 1961

O último combate naval disputado pela Marinha portuguesa, digno desse nome, aconteceu em 1961, aquando da invasão dos territórios de Goa, Damão e Diu pela Índia. A superioridade militar da União Indiana era esmagadora; no entanto, as forças navais não se renderam, o que levou ao afundamento do aviso Afonso de Albuquerque.