Marinha Portuguesa: Submarino NRP Tridente

O submarino NRP Tridente foi o primeiro dos dois novos submarinos da classe do mesmo nome (Tridente) adquiridos pela Marinha portuguesa no século XXI, tendo entrado ao serviço em 2010. Com 67 metros de comprimentos, o Tridente pode atingir a velocidade de 10 nós à superfície e 20 nós submergido, podendo submergir até 300 metros. É possível a este submarino fazer uma viagem de ida e volta entre Lisboa e o Cabo da Boa Esperança, em 2 semanas, sem vir à superfície. Tecnicamente diz-se que o sistema de propulsão do Tridente é diesel-elétrico, podendo optar por ambos os meios, mas na verdade trata-se de um submarino elétrico, capaz de recarregar as suas baterias estando submerso, através do processo de electrólise. Para este efeito, transporta uma grande quantidade de oxigénio e hidrogénio líquidos; o sistema diesel é apenas complementar e secundário.NRP-Tridente

Classe Albacora

O NRP Tridente e o seu “irmão gémeo”, o NRP Arpão, foram adquiridos para substituir os 3 submarinos da classe Albacora que estavam em funcionamento desde a década de 60. O NRP Albacora cessou atividade em 2000, o Delfim em 2005 e o Barracuda, o último que ficou em funcionamento, em 2010.

Polémica e suspeitas de corrupção

A intenção de substituir os submarinos Albacora, já datados dos anos 80, havia sido tomada pela primeira vez em 1998, num tempo em que a economia portuguesa demonstrava sinais de crescimento. Contudo, a partir dos anos 2000, a estagnação macroeconómica colocou em causa a pertinência de muitos investimentos públicos, e os submarinos não foram exceção.

Não obstante, em 2011 surgiram vários indícios de que a adjudicação de 2 submarinos classe Tridente à empresa alemã Ferrostaal poderia ter sido facilitada através do pagamento de luvas a altos responsáveis decisores do governo português, numa decisão final que havia sido tomada em 2004. Na Alemanha, indivíduos ligados à Ferrostaal foram condenados por corrupção, num escândalo que envolveu também uma adjudicação semelhante à Grécia. Contudo, apesar das investigações, em Portugal ninguém foi formalmente acusado.