Pirâmide Subaquática nos Açores: a Atlântida e o Mito

Em 2013, foi notícia a nível internacional a “descoberta” de uma alegada pirâmide subaquática nos Açores, entre a Terceira e S. Miguel. O relato foi baseado nas declarações de um pescador desportivo, Diocleciano Silva, que afirmava ter descoberto uma estrutura com 60 metros de altura e 8000 metros quadrados de área na base. Silva dizia também que a estrutura parecia estar orientada segundo os pontos cardeais e que não poderia ser de origem natural.

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Posteriormente, uma investigação da Marinha portuguesa, com instrumentos de alta resolução, demonstrou que as verificações do sr. Silva eram simplesmente incorretas e que nada de anormal existia naquele ponto do fundo marinho.

A Atlântida e os Açores

Os mitos em torno da Atlântida existem desde que foram criados (ou veiculados) por Platão nas obras “Timeu” e “Crítias”. Segundo o grande filósofo, teria existido, “para lá das colunas de Hércules” (isto é, a ocidente do estreito de Gibraltar), uma sociedade perfeita (semelhante à que ele imaginava) e, inclusive, dotada de tecnologias avançadas e desconhecidas no seu tempo. Contudo, esta sociedade teria sido engolida pelas águas “num único dia”, presumivelmente através de um terramoto mais poderoso do que aquilo que as leis da Física permitem.

Ao longo da Antiguidade, a lenda da Atlântida terá sido considerada como um mito, só sendo levada a sério como eventual possibilidade histórica na Idade Contemporânea. Alguns historiadores avançaram que a Atlântida seria um relato de civilizações americanas, como a Olmeca; a um nível mais esotérico, especulou-se que a Atlântida fosse tal como Platão a descrevia e que tenha estado efetivamente no meio do oceano Atlântico – nos Açores. Logo, a descoberta de estruturas humanas no fundo do mar, junto aos Açores, assentaria perfeitamente nesta visão menos científica.

Outros historiadores, de forma mais verosímil, apontam o fim brusco da civilização cretense (após alguns anos, e não em um dia), cerca de 1000 anos antes de Platão, devido à erupção vulcânica na ilha de Santorini, como a origem provável do mito da Atlântida. A sofisticação desta civilização em relação ao resto do Mediterrâneo, entre 2000 e 1500 a.C., justifica igualmente esta hipótese.