Planos de Modernização da Marinha Portuguesa

A Marinha portuguesa, pesem os constrangimentos monetários colocados pela situação das Finanças públicas, mantém um plano de modernização cauteloso, mas seguro. A modernização da Armada foi tema de uma entrevista publicada no “site” especializado Defense Media Network, em dezembro de 2015. Foi porta-voz da Marinha o vice-almirante António Silva Ribeiro, diretor-geral da Autoridade Marítima Nacional.Portuguese-navy-frigate

O vice-almirante Ribeiro explicou que a Marinha portuguesa não adotou a estratégia de especialização que foi corrente noutros países da NATO, mantendo-se fiel à sua tradição, já com 200 anos, de atuar simultaneamente como marinha de guerra e como guarda costeira. Ribeiro explica que as possibilidades financeiras limitadas do país, a sua grande costa e o “gigantismo” da sua Zona Económica Exclusiva aconselham a que os meios sejam do tipo “multitarefas”, capazes de se adaptar rapidamente a diferentes objetivos e a um cenário internacional em rápida mutação.

Em todo o caso, a modernização dos meios da Armada não se ficou pela aquisição dos submarinos Arpão e Tridente. O vice-almirante explicou também que a Marinha tenciona substituir diversos equipamentos nas fragatas disponíveis, nomeadamente em termos de radares, “guerra eletrónica” (“electronic warfare”) e sensores GPS eletro-óticos. No que toca ao armamento, há a intenção de melhorar os Sistemas de Armas de Defesa Próxima (“Close-in Weapon System”). Também nas comunicações se prevê um “upgrade” dos sistemas “Datalink”. O objetivo, em último caso, será melhorar as suas capacidades de combate antiaéreo e antissubmarino.

Talvez mais importante ainda, no caso das fragatas da classe Bartolomeu Dias, seja uma atualização das turbinas, de modo a prolongar o seu tempo de vida útil. De igual modo, os 5 helicópteros Lynx receberão novos motores e novos sistemas de comunicação.

Para o longo prazo, o vice-almirante falou na necessidade de uma “landing platform dock”, um navio capaz de desembarcar e embarcar tropas ou civis em grande número. Ribeiro mencionou uma eventual necessidade de proteger e evacuar cidadãos portugueses em África, em caso de crise, tal como a necessidade de reagir rapidamente, caso não exista o necessário apoio de uma coligação multilateral.